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Desinspirada

É assim que eu ando, ou pareço andar... Não sei porquê, mas dá-me a sensação que o entusiasmo foi-se. Desinspirada com a vida. Arrasto-me lentamente pelas velhas rotinas quotidianas que há dias falei, acabando por fazer o que precisa de ser feito... mas com pouca inspiração.

Talvez nem seja tanto a inspiração.

Talvez seja mais o encanto.

Ando desencantada. Parece-me mais adequado. Desencantada com o trabalho, desencantada com as atitudes, desencantada com um pouco de tudo. Apetece-me mudar, mas não sei bem o quê, nem para quê...

... mas isto acabará por passar. Talvez seja o estágio, talvez o tempo, talvez a incapacidade de encontrar um casaco que seja perfeito ( :P ).

Pode ser que a noite me devolva um pouco da inspiração que pareço ter perdido....

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1 down, 4 to go...

Foram muitas as horas de grande estudo passadas em frente àquelas letras pretas minusculas no papel branco A3 gigante, mal fotocopiadas... As noites e os dias emaranharam-se de tal maneira durante a sua leitura, que chegava a não perceber sequer o que estava a ler, e para quê o fazer.... Aproveitar a luz da vela até esta se extinguir, para tentar ler apenas mais uma frase que fosse antes de a madrugada chegar... Embrulhada num cobertor devido ao frio que se fazia sentir no quarto, de tal modo que cada expiração deixava uma nuvem de nevoeiro entre os meus olhos e a página que estava a ler, dificultando ainda mais a leitura....

... e pronto, tou a exagerar! :P

Mas é verdade! Consegui! O grande entusiasmo com que iniciei o estudo do Harry já desvaneceu todo, e os capítulos do início, tão bem estudados, já nada têm a ver com os capítulos do fim, que não ficaram sabidos, e até bem longe disso. Mas o que é certo é que estão sublinhados, o que já é qualquer coisa! :D

Portanto, Pneumo já foi.... pelo menos a primeira leitura. Falta ainda responder a algumas das perguntas de exame, mas isso fica para outra altura, que já n posso ouvir falar em alvéolos e poeiras inspiradas!

Agora, já só falta nefro, gastro, hemato e cárdio. Tá quase! (ou não....!)

May the force be with me!... and with us all, poor 6th grade med students! :D

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Nostalgia Gulosa

Há uns dias, encontrei-me com uma amiga de infância. O objectivo foi escrever o postal perfeito para mandar a outra amiga de infância que se encontra longe. Para isso, vasculhámos as fotografias guardadas na gaveta, a ver se encontrávamos uma que nos englobasse às 3, há muito tempo atrás, para ilustrar o nosso lindo postal. Entre fotos e mais fotos, descobri uma do meu segundo aniversário. Com caracolinhos alourados, ali a apagar as velinhas. Isto levou-me a pensar nas minhas festas de ano, há muito tempo... Nos convidados, nas prendas, da minha mãe a cantar alto os parabéns (com garra!)... e no trabalhão que ela tinha para pôr uma mesa bonita. Entre os bolos, sobremesas, sandes e chocolates, havia sempre uma coisa que nunca faltava - os seus fantásticos bolinhos de côco. O que eu e o meu irmão gostávamos daquilo... Eram verdadeiramente deliciosos! No entanto, por razões que me transcendem, deixaram de ser feitos... e já desde a minha infância que não os provo.

Ao pensar em tudo isto, pensei - porque não fazê-los novamente?

E assim foi! Ah, e que bem que soube! :D Há coisas que nunca mudam... e o meu gosto pelos ditos bolinhos de côco, talvez já fora de moda, são uma delas! Tal e qual como me lembrava deles... Desde o sabor ao aspecto! :)

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Regressar a fase presunçosa

Sou uma rapariga de fases. E, neste momento, regressei à fase presunçosa. Não sei bem porquê... Talvez por ter sido alvo de sérias acusações no passado recente, tendo sido bombardeada (ou quase :P) com adjectivos que, soltos, não fazem grandes estragos, mas quando se acumulam e juntam... bom, acontece do pior.

No último post descreveram-me como melosa. Melosa, vejam bem... Que eu seja melosa esporadicamente, tudo bem. Mas que Melosa faça parte dos adjectivos usados para me descrever, aí a coisa muda de figura. Perante esta realidade cruel com que me confrontei, fui perguntar a opinião às pessoas....

... Concordaram.

Aí eu penso - oh não!

Mas pior - Acrescentaram outros....

Tenho agora uma lista jeitosa de adjectivos, todos eles relacionados comigo, mas com tanto junto.... a sério, até a mim eu pareço uma pessoa altamente irritante. Tipo Elmyra, quando abraça um gatinho.... e esfanica-o até à morte com tanto mimo. Ou quase.

Então a lista é a seguinte:

Mimosa
Melosa
Fofinha
Amorosa
Querida
Bétinha
(...)

Need I go on? Como é que o pessoal me atura?! :S Pareço um filme daqueles em que se sai de lá a chorar. Devo ser insuportável... talvez por isso lide melhor com o pessoal que só encontro esporadicamente que com o pessoal com quem estou todas as horas de todos os dias, ou quase. Eles não conhecem o meu lado meloso. Jeez....

Daí ter mudado... Passei do Snoopy e dos gatinhos fofinhos que tive no messenger nestes ultimos tempos para a minha "foto sexy". Onde eu não estou fofinha, queridinha, amorosa, bétinha. Nah, estou sexy. Algo que não tem mesmo nada a ver comigo. Mas pode ser que contribua para alterar um pouco os adjectivos usados para me descrever.

Regressei, portanto, à fase presunçosa. :P


(Note-se que o post saíu numa altura em que me apetecia postar, mas não tinha assunto nenhum para escrever - daí as baboseiras todas pegadas... nem sei se o título tem muito a ver com o texto. Oh well... hão-de vir posts melhores!)

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Um caso no S.U. de pediatria

"Não podes fazer grandes coisas mas podes fazer coisas pequenas com grande Amor."


Ontem, no banco de pediatria, entrou uma menina de 5 anos. Tinha uma espinha entalada na garganta. Estava cheia de medo, e recusava-se. Era isso que ela fazia - recusava-se. Recusava-se a entrar para o local onde estavam os consultórios médicos, recusava-se a entrar para a sala de triagem, recusava-se a entrar para a sala de tratamentos, recusava-se a abrir a boca, recusava-se a parar de gritar, recusava-se a escutar.... Por outras palavras, entre tanta recusa, estava uma menina demasiado assustada para ser racional. A médica que a assistiu, a ver acumular as fichas que não paravam de entrar (o banco estava caótico, com um tempo de espera médio de 2 horas....), perdeu a paciência, e mandou a menina ao otorrino. A mãe da menina, ao descobrir que o otorrino era noutro hospital, chateou-se ainda mais com a menina, e começou a gritar com ela ainda mais alto, para ver se ela percebia bem que, por culpa do bacalhau com natas que ela tinha comido ao almoço, a mãe estava a faltar a tantas horas de emprego... (como se já não fosse suficiente ter uma espinha entalada na garganta, era também necessário uma dose de medo aterrador aliado a um sentimento de culpa). A médica passou o papelito para a menina ir ao otorrino, a mãe saíu chateada do consultório, a menina, para variar, recusava-se dar um passo que fosse em direcção ao otorrino.

Enfim, uma situação daquelas que acontecem tantas vezes, mas esta foi direrente.

Tendo assistido a toda esta cena, não queria deixar a menina ir embora naquele estado. Então, ali no meio do corredor, com crianças a entrar, pais a sair, médicos a chamar, eu travei uma conversa com a menina... Em vez de começar aos berros com ela, optei por usar o meu tom de voz normal, coisa que tantos outros se esqueceram de fazer. A princípio, para variar, ela recusou-se a falar comigo... recusou-se a mostrar-me a garganta... recusou-se a parar de chorar e gemer. Mas eu fui mais persistente do que ela, continuei a falar com ela, respondendo por ela às perguntas que eu própria colocava, até que ela começou a reagir. Ao menos, parou de chorar, de gemer, começou a prestar atenção.

Depois, começou a fase das mentiras. Dizia que já não tinha espinha, que nunca tivera espinha, que tinha inventado tudo aquilo porque não queria estar na escola. Nesta altura, a mãe da pobre criança também começou a ver que a gritar não ía a lado nenhum, e também ela começou a falar com a filha como se ela fosse gente, e não como se ela fosse um enfardo. Mas, em conversa, a menina lá se desmentiu, e admitiu que todas as mentiras que acabara de dizer tinha sido por ela estar convicta que ía doer. O que quer que fosse que o médico fosse fazer, ía doer. Não sabia o que era, sabia apenas que seria doloroso. E ela não queria.

Eu expliquei-lhe que não devia doer tanto assim - se não doeu ao entrar, não devia doer ao sair. Eram mais assustadores os tubos que lhe íam pôr na garganta do que propriamente a dor do processo, que, julgava eu, não ser muita. Aí veio a pergunta fatal - "Já alguma vez tiraste uma espinha?" - eu respondi honestamente - nunca tinha passado por aquilo que ela estava a passar. Não sabia ao certo como seria. Mas imaginava que não ía ser assim tão mau. E havia um lado bom da questão - no fim, para desinflamar, os remédios não seriam xaropes que sabiam mal, comprimidos que custavam a engolir, ou essas coisas típicas. Não, o tratamento passava por um gelado. À escolha dela. Sem qualquer restrição.

Com estes 15 minutos de conversa, ali no corredor, consegui fazer com que aquela menina assustada de 5 anos, que de início não parava de gritar e chorar e recusar-se, saísse do serviço de urgência do hospital com um sorriso (embora pequenino) nos lábios. De mão dada à mãe, lá foi ela, corajosamente, enfrentar o otorrino... Mas desta vez a colaborar.

Não é asim tão especial quanto isso - acho que ninguém se apercebeu do que eu tinha feito (excepto a mãe, que me agradeceu no fim)... médicos, enfermeiros, pais... todos eles num grande alvoroço para cá e para lá, não devem ter dado conta. E também, diga-se, não foi nada de extraordinário. Mas senti-me bem no fim. E, por isso, valeu a pena. :)

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A time for us



Andre Rieu

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AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARGH

(Apeteceu-me gritar)

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