"The life of every man is a diary in which he means to write one story, and writes another; and his humblest hour is when he compares the volume as it is with what he vowed to make it."
J.M. BARRIE, The Little Minister
A vida é uma coisa muito engraçada. Estranha, mas engraçada. É, realmente, o momento. Não pode ser vivida nem no futuro nem no passado. É o agora. Espera-se que seja o amanhã. É o que nos lembramos de ter sido o ontem. Mas na verdade, não passa de um momento - O momento presente. Pois o que é lembrado é muitas vezes detorpado, e o que ainda vai ser vivido não passa de esperanças e ambições. E que ambições essas...! O que ontem parecia tão grandioso, o hoje ensina-nos que não é assim tanto. E o que ontem julgávamos ser tão horrivel hoje encanta os nossos pensamentos.
Desilusões e surpresas. Acontecimentos e rotinas. Alegrias e tristezas.
A vida é uma coisa extraordinariamente curiosa.
Portanto - Vive-se o momento... pois... é a vida!
(e tudo isto porque, encantada pela escrita do J.M.Barrie, fui desencantar a frase inicial)
Vida
Chuva e Sol
Não escrevo há uns dias, é verdade. As horas fora de casa são mais que as passadas em casa, e o cansaço acumulado ao longo do dia supera o repouso durante a noite. E o pouco tempo que estou em casa, aproveito para fazer algo útil, nomeadamente fingir que estudo (quando, na verdade, durmo de olhos abertos numa posição altamente desconfortável, sentada à secretária). Tudo ajuda. São as longas horas de trabalho, é o tempo chuvoso que dá sono...
No entanto, chegando ao fim de uma terça feira convencida (pelo cansaço) que se trata de uma tarde de sexta feira, decidi pôr termo a isto. Preciso de fazer algo para me distrair, e escrever um pouco no blog parece-me uma ideia excelente. (Afinal de contas, Paris fica longe (hihi) e está demasiado chuvoso para ir passear, e na tv não dá nada que preste...).
E, desta maneira, dou por mim a esrever uma vez mais algo sem interesse algum para alguém. Podia continuar na mesma onda dos últimos posts, mas aí diriam que eu estava a ficar maluquinha de todo, e altamente entediante, sempre a escrever os mesmos sorrisos e suspiros. Podia contar sobre a postinha de carninha extraordinariamente grande que tiraram hoje a um senhor acordado, com a ajuda de um bisturi, mas as pessoas ficariam chocadas com os detalhes nojentos de tal história. Podia ainda optar por um post sobre algum gato, mas esses andam mais adormecidos do que eu, com tanta chuva que São Pedro nos manda ultimamente. Ou podia também optar por algo mais romântico e postar sobre o livro que comprei hoje, "Cartas de Napoleão a Maria Luíza", mas esse post vai ter de esperar para quando eu acabar de ler o livro (que, com o cansaço que vai, duvido que esteja para breve).
Portanto, acho que acabo de escrever um post sem escrever sobre nada. Mas vá, como nem tudo é mau, e como o bom humor reina, não desperdiço tempo das vossas vidas com textos completamente inúteis. Como gosto de frases ditas por gente mais brilhante do que eu, partilho mais uma:
“Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol.”
~ Pablo Picasso ~
... E depois, há aquelas pessoas que, sem querer, conseguem transformar-nos numa dessas pessoas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol! :)
(É verdade, não consegui resistir a deixar aqui um pouco mais dos meus suspiros)
Suspiro
Desta vez, não consigo postar grande coisa.
Depois de uma noite mágica, a única coisa que me sai neste momento é um suspiro grande e sentido. Apaixonado, enamorado, já cheio de saudades, provavelmente, e acompanhado de um sorriso...
aaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Apaixonada?
Sento-me à secretária com o Harrison's aberto, e depois de um dia cansativo, penso apenas - mais vale fechar isto que o estudo hoje não vai render... deixo isto antes para amanhã. Vou antes actualizar o blog, ou coisa parecida.
Então ponho-me a pensar no que escrever no blog. Qualquer parvoíce que me venha à cabeça, para se juntar a tantas outras parvoíces já aqui depositadas. Mas acabo desiludida. Não me vem parvoíce nenhuma à cabeça. O que torna este post totalmente inútil, e uma perda de tempo para quem o lê.
É então que penso - e porque não escrever simplesmente o que realmente me enche a cabeça de momento? E não, não estou a falar do estudo do Harrison's... pois apesar de ele ocupar, actualmente, uma grande parte da cabeça, seria um tema demasiado estudioso para escrever quando se foge ao estudo em si. Estou sim a falar do que me ocupa outra grande fatia dos meus pensamentos. Porque não simplesmente admitir? Gritar em voz alta (ou escrever desalmadamente....) aqui no blog, deixar de fingir, e começar a encarar esta pequena maravilha (que de momento parece enorme) como pura realidade. Sem medo. Apenas admitir. Afinal, os que escolhem perder tempo das suas vidas a ler o blog ou são amigos (que merecem saber), ou são perfeitos desconhecidos, que se devem estar nas tintas para o que escrevo, e portanto, não é grave ficarem a saber também.
Bom... Então aqui vai. O que mais me ocupa o tempo que "desperdiço" a pensar, actualmente, é um nome próprio (e todas as características a ele associado). ... Masculino....
Será que estou verdadeiramente a apaixonar-me? Não sei responder a isso... nunca estive verdadeiramente apaixonada para saber o que é suposto sentir/fazer/dizer para admitir estar em tal estado. No entanto, seja isto paixão, seja isto o que for, o que é certo é que me está a deixar num estado de espírito incrivel. Verdadeiramente feliz, a ponto de não conseguir conter tanta felicidade, e explodir em mil sorrisos espalhados ao longo das horas. Ando "apanhadinha", segundo sou informada carinhosamente pelos mais carinhosos. Talvez não apaixonada. Ou talvez sim... Quem sabe? Mais uma pergunta a ser respondida pelo tempo. Com calma... sem pressa.
Porque, paixão ou não, a verdade é que gostaria de prolongar este estado de espírito por muito tempo. Afinal, felicidade extrema é algo demasiado raro para desperdiçar com precauções e racionalizações.
É encarar isso. E seguir em frente. :)
Afinal de contas... Carpe Diem!
Uma nova forma de sentir
É incrível como um mero estado de espírito pode alterar um dia inteiro! :) Há muito que não me sentia assim (será que alguma vez senti?)
Um dia que tinha todos os pré-requisitos para ser um dia daqueles... sei lá, maus, péssimos, horriveis...
Um atraso do metro a ir para o hospital, chegar ao hospital e deparar-me com a falta de uma doente cujo tempo dispendido com ela a rotulou como querida, que entretanto vim a saber que faleceu durante o fim de semana ( :( ), o almoço às 2:30 da tarde, a morte da minha doente ainda mais querida, ali à minha frente (...), a cirurgia marcada para as 3 que acabou por ser às 4:30, chegar à estação de corroios às 20:30, cansada fisica e psicologicamente, deparar-me com um autocarro que só chega daí a 30 minutos e concluir que indo a pé, por mais que isso custe aos meus pobres calcanhares doridos por passar um dia inteiro a acartar com todo o meu peso será talvez a melhor solução para chegar menos atrasada ao jantar, isto quando o estômago pede comida há já uma hora....
E, no entanto, ao longo destas horas custosas, muitos sorrisos se formaram nos meus lábios! :) E a caminho de casa, os sorrisos continuaram. Que estranha felicidade é esta que me invade? :)
Aaaaaaiiiiiiii, como a vida é bela de vez em quando!
Just for Today
Just for today, I will try to live through this day only, and not tackle my whole life problem at once. I can do something for twelve hours that would appall me if I felt that I had to keep it up for a lifetime.
Just for today, I will be happy. This assumes to be true what Abraham Lincoln said, that most folks are as happy as they make up their minds to be."
Just for today, I will try to strengthen my mind. I will study. I will learn something useful. I will not be a mental loafer. I will read something that requires effort, thought and concentration.
Just for today, I will adjust myself to what is, and not try to adjust everything to my own desires. I will take my "luck" as it comes, and fit myself to it.
Just for today, I will exercise my soul in three ways: I will do somebody a good turn, and not get found out. I will do at least two things I don't want to--just for exercise. I will not show anyone that my feelings are hurt; they may be hurt, but today I will not show it
Just for today, I will be agreeable. I will look as well as I can, dress becomingly, talk low, act courteously, criticize not one bit, not find fault with anything and not try to improve or regulate anybody except myself.
Just for today, I will have a program. I may not follow it exactly, but I will have it. I will save myself from two pests: hurry and indecision.
Just for today, I will have a quiet half hour all by myself, and relax. During this half hour, sometime, I will try to get a better perspective of my life.
Just for today, I will be unafraid. Especially I will not be afraid to enjoy what is beautiful, and to believe that as I give to the world, so the world will give to me.
~K. Holmes ~
De volta a realidade
"You can't know it all. And even if you knew everything that anyone else knows (which you can't, so stop worrying about it), you still wouldn't know what you need to know to help many patients."
- from "A Not Entirely Benign Procedure" by Perri Klass -
Sinto-me enferrujada. Parece que 5 anos de curso se apagaram da minha mente, e quando me deparo com um doente, o local onde antes havia tanta informação, toda ela organizada, toda ela sabida... agora encontra-se vazio, ou apenas um aglomerado de palavras chave sem qualquer relação entre elas. ...Porquê?... Ou será que não é falta do conhecimento, mas sim uma questão de circunstâncias? Talvez, talvez...
Aaaaaaiiiiii, detesto sentir-me incompetente...
(isto passa)






