E, para variar, fitas novamente!
Fitas são coisas giras. São engraçadas de escrever, pois podemos dizer todas aquelas coisas que muitas vezes ficam por ser ditas, revelar aos outros o quanto eles são especiais para nós. Mas são ainda mais giras de receber - ler aquelas mensagens, escritas, de vez em quando, com alma, sentir algo tocar-nos cá dentro... A lágrima já veio ao olhos por uma ou duas vezes. E sorrisos, esses nunca faltam quando nos chega mais uma fita.
Hoje, recebi outra. Mas esta era diferente de todas as outras! Era ilustrada!! :) Fazia lembrar aqueles livros que eu tanto gostava em garota, onde as palavras eram substituidas por imagens... Não viesse esta fita de alguém que considero amiga já desde os tempos em que as letras ainda não passavam de símbolos esquisitos a ocupar bom espaço de papel, que podia ser melhor aproveitada para fazer os benditos rabiscos a que eu chamava de desenhos! Aaaaaiii, bons velhos tempos! :)
... Muito obrigado, Di, pelo sorriso que provocaste ao dar-me uma fita cheia de imaginação!
Outra fita
Hoje vi uma fita. Era diferente. A cor era vermelha. Tinha à mesma o símbolo da faculdade timbrado, mas era vermelha, em vez de ser amarela ou verde. Era para o(a) namorado(a). E decidi comprá-la. Não que alguma vez eu tenha esta fita escrita até à data da queima das fitas. Provavelmente nem a vou colocar na pasta nessa ocasião. Vou guardá-la, numa gaveta, para ser entregue depois. Algures no futuro. Pois quando eu vi aquela fita, lembrei-me daquele nosso primeiro passeio juntos, na praia, de mãos dadas... Lembrei-me daquele candeeiro que se apagou quando passámos por baixo, na ida, e voltou a apagar-se, na volta. Lembrei-me dos risos todos em torno dessa situação, de todas as conversas em torno desse acontecimento peculiar, ali, naquele dia quando nos conhecemos. E deu-me um ataque súbito de saudades. Daquelas que nos tornam alheios às conversas que nos rodeiam, e nos transportam para um mundo onde estamos sós, perdidos nos pensamentos...
... E, portanto, decidi comprar a fitinha vermelha. E decidi anunciá-lo ao mundo. Talvez por falta de outro assunto para postar. Mas, mais provavelmente, porque hoje as saudades ocuparam grande parte do dia, e postar soubre outra coisa qualquer não faria sentido.
ODE IV
ODE A TODAS AS EDIÇÕES DO HARRY QUE VÃO SAINDO E ATORMENTANDO TODOS OS ESTUDANTES QUE FAZEM EXAME EM OUTUBRO/NOVEMBRO MAS AINDA NÃO SABEM EM QUAL DAS EDIÇÕES PEGAR
(Esforço-me por criar um estilo próprio - chamo-lhe "poesia má com títulos piores")
Oh Harrison's cruel,
Com tão grandes e longas páginas,
Perco-me no meio de tanto papel,
Ao ler-te desfaço-me em lágrimas! ( <- desespero, portanto)
Conheci-te ainda eras a décima quinta,
Mas muito em breve decidiste mudar,
Ganhaste cores, imagens, "que granda pinta!"
E eras já a 16ª quando te decidi comprar...
Hoje estudo-te, na incerteza,
Pois ainda há pouco alteraste novamente...
És agora a 17ª, que beleza!
...Mas que só serve para dar mais trabalho à gente!
E é assim, com toda esta incerteza no ar,
Que passo os meus dias, simplesmente a estudar....!
- Ana -
Fitas
O curso está estranhamente perto do fim. Apesar do trabalho e do estudo, começamos a dar conta dos dias a passar e a aproximarmo-nos daquela data em que nos vamos olhar pela última vez. A lamechice já se faz notar em algumas conversas, a nostalgia já começa a pairar no ar... o blog, volta na volta, já deixa alguns posts mais sentidos (como este!)... E as fitas começam a chegar.
Hoje chegou-me uma. Com uma pequena citação de Fernando Pessoa que me deixou a pensar. Apesar de corresponder um pouco às minhas expectativas (coisas que tantas separações no passado nos vão ensinando....), não me deixei ficar indiferente, e a querer (muito!) que Fernando Pessoa estivesse errado. Só desta vez...
A citação completa não cabe nas fitas da malta. E muitas delas já estão escritas. E é mesmo um bocado dolorosa demais para ser posta numa fita que vai ser entregue para um dia em que é suposto estarmos a celebrar, não nostálgicos a chorar pelos cantos. Portanto, deixo antes a citação aqui, em vez de a copiar para mais fitas. A todos os amigos, os presentes e os que já o foram, outrora.
Pode ser que um dia nos encontremos todos novamente.
--
Um Dia
Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas
que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e
perguntarão:
"Quem são aquelas pessoas?"
Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
-"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons
anos da minha vida!"
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes
daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a
sua vida isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de
grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!"
- Fernando Pessoa -








