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Um póster

Na primária, adorava fazer pósteres. Era giríssimo - ía à papelaria e podia escolher a cor da cartolina. Dáva uso à minha tesoura para recortar imagens e textos, e coláva-os à cartolina com a velha e sempre fiel cola UHU. Muitas vezes ficava com os dedos peganhentos, o próprio póster ficava peganhento, as coisas ficavam coladas ao contrário, mal cortadas... isto é, nem sempre ficava perfeito. Mas olhava sempre para o produto final como se de uma obra de arte se tratasse. E adorava o que fazia.


Hoje detesto fazer pósters. Por mais direitinho que as impressoras imprimam o documento feito em power-point, por menos peganhento que fique o produto final, a verdade é que... tiraram a piada toda à ideia do póster. A criatividade já não é a mesma coisa, e as coisas que há a dizer são demasiadas para caberem num espaço tão pequenino.

Bah!

(farta de hemorragias uterinas, farta farta FARTA!)

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Um desafio

Ontem o meu sobrinho esteve por cá. Ele, que já tudo corre sem querer dar sequer a mão a ninguém, rapidamente se enfiou dentro da sala e pôs-se a "tocar" piano e à procura de uma audiência que batesse palminhas no fim (uma cena digna de ser filmada, que, by the way, até foi... não fosse eu madrinha babada). =)


(O meu artista favorito ao piano... as pequenas mãozitas do Du! Reparem como ele próprio dá o jeitinho correcto aos dedos! É um pianista nato!)


Não confiando nele nas suas correrias, corri atrás dele, e deparei-me com aquela cena. Sentei-o no banquinho, guiei os seus pequeninos dedos para um "Brilha brilha lá no céu" complementado pelas vontades próprias do artista (o Du decidiu que aquele plim plim merecia outros plins plins lá pelo meio), deixei-o dar asas à sua criatividade... e apercebi-me há quanto tempo eu não me sento verdadeiramente ao piano. Vou passando por lá, toco nas suas teclas por um ou dois minutos, antes de decidir que tenho de ir fazer outra coisa qualquer.

Enquanto ele se entretinha a compôr o seu Opus nº 1 - intitulado Plim Plim PLÓM - eu decidi abrir o meu velho livro de partituras, com uma camadinha de pó já valente, prova do pouco uso que lhe tenho dado ultimamente, e, ao calhas, fui parar a esta música.



Ora aí está um desafio para os próximos dias... Wish me luck!

(Silverdrop e Caxemire, que acham?! Boa música? :D Acho que era uma das favoritas lá na Mena, não era? =) )

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If everyone cared



"Never doubt that a small group of thoughtful, committed people can change the world.
Indeed, it is the only thing that ever has."

- Margaret Mead -



Não fazia ideia que a Amnistia Internacional tinha sido inspirada em dois estudantes portugueses....

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A "não-apendicite" da tarde de ontem

"O diagnóstico da apendicite aguda é clínico."

A grande maioria dos tratados que valem alguma coisa e que falam de apendicite aguda têm uma frase igual a esta escrita algures sobre o assunto. Isto é - se a criança tem uma apendicite, só por aquilo que ela nos conta juntamente com aquilo que vemos quando a observamos ficamos logo com uma ideia do diagnóstico.

Ora, e quando a criança nos chega e nos conta uma história idêntica à que vem nos livros, como se ela própria tivesse andado a decorar os capítulos de apendicite dos ditos calhamaços, ficamos logo com o bichinho atrás da orelha - "aha, isto parece uma apendicite!" Quando ela nos entra em posição de defesa abdminal, com o tronco flectido e as mãos como se a segurar a barriguita, o bichinho fala um bocadinho mais alto. Quando a observamos, e ela se encolhe cheia de dores à descompressão da fossa ilíaca direita, durante a palpação abdominal, o bichinho previamente instalado atrás da orelha desata a dizer alto e em bom som - "aha, isto tem uma grandessíssima probabilidade de ser uma apendicite!"

Diz-se à criança que a partir dali, ela já não pode nem comer nem beber até fazer as 6 horas de jejum. Diz-se para esperar um bocadinho lá fora, e vai-se falar com o chefe de equipa (pediatra), que, perante a descrição do caso fica também convencido que a hipótese diagnóstica de apendicite aguda faz bastante sentido.

Contacta-se os colegas de cirurgia... e obtém-se a resposta que sem análises, não se palpam barrigas (adorava saber de onde isto veio, pois vai contra toda a espécie de textos escritos em livros médicos, nem sequer é preciso ir para os livros específicos de cirurgia!)

Apetece-me sugerir que o diagnóstico é clínico, mas contenho-me.

Lá peço o velho hemograma e PCR só mesmo para ver como estão as coisas no sangue daquele rapaz. Já que havia uma grande probabilidade de ele acabar no bloco, decido pedir mais algumas coisitas pré-operatórias. Ele colhe análises... e fica à espera do resultado.

Algum tempo depois, vejo o colega de cirurgia pediátrica no serviço de urgência. Pergunto se já olhou para a barriga altmente suspeita do rapaz, e obtenho a resposta - "ainda não tem análises prontas." (vontade de refilar muito neste ponto, mas contenho-me)

Dirijo-me ao computador, vejo as análises ali chapadinhas, com parâmetros de inflamatórios claramente aumentados. Imprimo-as a vou ter ao encontro do colega.

"11 de PCR? 20000 leucócitos?! Ai tantos... isto não é uma apendicite!" é a resposta que eu recebo... ao que eu respondo - "mas a BARRIGA é de apendicite, a HISTÓRIA é de apendicite..." (- e apetece-me acrescentar - E O DIAGNÓSTICO É CLÍNICO!!! - mas contenho-me.)

Finalmente o colega lá chama a "tão-teimosa-não-apendicite" diagnosticada pela "tão chata interna de MGF" (que não deve perceber nada do assunto.... estou a referir-me a mim própria), e dois minutos depois a criança é orientada para o bloco operatório, para ser operada.

Uma hora depois, aparece o colega, a rir-se do caso, a dizer "era uma apendicite de caras!" (tipo, DUH!), abrimos a barriga, o apêndice estava ainda intacto mas gordinho gordinho! mal lhe mexemos, ele rebentou! era uma apendicite de caras!"

Todos se riem sobre o assunto, e falam de como era tão típica aquela história, e, por alguma razão que me transcende... ignoram-me quando eu pergunto se estão a referir-se à apendicite do meu miudo (tinha entrado outra suspeita de apendicite ao longo da tarde).


... vontade de matar alguém... mas contive-me.


Decidi antes vir desabafar um pouco para aqui. Não é com análises que se diagnosticam apendicites. AJUDAM, mas não fazem diagnóstico. Não é com ecografias que se diagnostcam apendicites. AJUDAM, mas não fazem o diagnóstico. E não é menosprezando os internos de MGF que se fazem diagnósticos de apendicite. Os internos podem perceber menos, mas percebem, e tentam ajudar... porque não dar-lhes um bocadinho pequenino de crédito de vez em quando?

Nóia....

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O 5 de Outubro

Mais do que celebrar a república, hoje apetece-me celebrar Portugal.


Feriado errado, bem sei... devia guardar estas minhas vontades para o 10 de Junho, mas paremos um bocadito neste ponto. O 10 de Junho celebra (ou antes, relembra) o falecimento de Camões. Bem vistas as coisas, talvez celebrar Portugal seja realmente algo a ser feito na data de hoje, pois em 1143 - há precisamente 867 anos - assinou-se o tratado de Zamora, o grande marco da independência de Portugal.

Coincidentemente, precisamente 767 anos depois dessa data, o povo revolucionou-se contra a monarquia, e decidiu implantar a República - que, diga-se também a título de curiosidade, estava marcado para ser a 04 de Outubro... mas houve uma série de contratempos que obrigaram ao adiamento do resultado final para um dia depois da data prevista.

E hoje, enquanto todo um país anda a celebrar (ou a reclamar) o Dia da Implantação da República, apetece-me antes ser do contra, e celebrar (não reclamar) o nosso tão querido Portugal.

Este pedacito de terra à beira mar plantado já foi grande, já foi pequeno, já viveu dias estáveis, já viveu (e vive de momento) dias instáveis, já foi terra de conquistadores, já foi terra conquistada... enfim, já tanta coisa aconteceu que um tratado que se proponha a contar decentemente a história de Portugal dificilmente será mais pequeno que um grande calhamação maçudo com letras pequenas, suficiente para dissuadir pessoas que, como eu, até gostavam de conhecer um pouco melhor a história do seu país, mas "é pá, não há pachorra para aqueles livros".

No entanto, equanto todos reclamam subidas de impostos, diminuições salariais, instabilidade governamental, crises, contas que não batem certo, primeiros ministros narigudos de tanta mentira contada, etc etc e tal (eu incluída), hoje decidi fazer uma pausa disso tudo.

Decidi olhar para o lado positivo, que com tanta frequência temos tendência a esquecer.

Caramba. Vivemos em Portugal, somos Portugueses! Temos um país desenvolvido. Vivemos banhados por praia, com montanhas e neve num interior que se encontra tão perto. Temos ilhas, temos continente, e, segundo o The Economist Intelligence Unit, temos qualidade de vida (somos o 19º país no mundo com melhor qualidade de vida a nível mundial).

Temos até feriados que interrompem a chuva e fazem brilhar o sol!


Reclamar faz falta, mas às vezes também é preciso parar, e ver que nem tudo é mau.

Stop and smell the roses, como lá diz a malta do outro lado do Atlântico. :)


E viva Portugal !!

Sim, temos problemas...
mas ao menos andamos de pés calçados e podemos escrever o que nos vai na alma.

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"Há coisas levadas da breca"

Assim, sem mais nem menos, sem que eu me tivesse esforçado para tal...



... o msn começou novamente a funcionar.



Weeeeird

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Farta

Farta, FARTA, FaRtA, fArTa, F A R T A , FARta, FartA, fARTa, fARTa

FFFF AAAA RRRR TTTT AAAA


Simplesmente farta
das hemorragias uterinas anormais entre a menarca e a menopausa.



E a chuva não está a ajudar ao meu estado de espírito.


(Ando a resmungar demasiado ultimamente... devia começar a preocupar-me)


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