Amanhã serei 1/3 especialista! :)
A mais ou menos um mês do fim do Internato
Finalmente, o fim do internato. Pus-me a pensar uma vez mais no que isto significa. Anseio por este dia desde o dia em que decidi ser médica - esta altura marcaria a minha vida seguramente. Ser "médica especialista", "médica de verdade", ter "autonomia", "gerir a minha prática", ter "os meus doentes"(....).
Concluo que tudo isto é um bocadinho uma ilusão.
Ser médica especialista - ok. Verdade. Para isto preciso de acabar o internato.
Ser médica de verdade - o que é que isto é? Não fui eu já médica de verdade para muitos daqueles doentes com quem contactei ao longo do internato? Serei eu médica mais verdadeira depois de responder a umas quantas perguntas perante um júri? Serei eu mais capaz de ser médica de verdade quando o dia estiver preenchido com responsabilidades burocráticas que muito ultrapassam o conceito que as pessoas têm do que é ser "médico"?
Ter autonomia - A autonomia é ganha quando se faz o exame de 1º ano durante a especialidade. Acaba-se o curso, pratica-se medicina de forma "tutelada" durante 2 anos, e depois disso, é-se autónomo. Isto quer dizer que posso tomar decisões, e que as consequências das minhas decisões serão da minha responsabilidade. Autonomia não é ganha com a especialidade. Autonomia foi ganha já há uns anitos.
Gerir a minha prática - Felizmente, já não vivemos na época em que o médico trabalhava isoladamente. Hoje em dia, trabalha-se em equipa, e gerem-se serviços e centros de saúde em equipa, tenta-se alcançar objectivos em saúde em equipa. Isto leva a que a gestão da prática seja sobretudo uma questão de trabalho em equipa, e não tanto trabalho isolado.
Ter os "meus doentes" - Sim, está certo. Como médica de família, assino um contrato que põe aos meus cuidados 1900 utentes do serviço nacional de saúde. Contudo, será que esses utentes vão ser mais "meus" do que os actuais utentes que tenho vindo a seguir nos últimos 4 anos? Eu que já tenho saudades daqueles que sei que provavelmente não vou ver nunca mais em consulta, e eles que já me perguntam se quando regressarem em Agosto, será que ainda vou lá estar? "A Dra. já sabe para onde vai?", perguntam. Ao qual eu respondo sempre "De certeza que será para onde eu faça falta". Alguns ficam calados, outros dizem-me que eu faço falta ali onde estou. Não é difícil convencê-los que eles ficam bem entregues à minha orientadora (que é uma médica excepcional, e que os segue há bem mais tempo do que eu. Afinal, desde o início que eu sou apenas "temporária" naquele local). O difícil é convencê-los que eles não vão dar pela minha falta "A gente acostuma-se às pessoas, Dra." Invariavelmente, as despedidas que costumavam ser "Então até Agosto!" agora adoptam um tom mais saudosista "Então boa sorte, Dra. A gente vai tendo notícias pela Dra. Marta." Alguns dão abraços. Posso vir a ter outros utentes, mas estes foram, sem dúvida, os "meus" utentes nos últimos 4 anos. Acabar a especialidade apenas quer dizer que terei utentes novos. Não que terei utentes mais "meus".
Em breve serei médica especialista. Até lá, usufruo dos últimos dias em que sou apenas uma médica interna, "assistente" ou "ajudante" da Dra. Marta.
Vou ter saudades destes quatro anos.
O nariz mais lindo!
Adorei todos os segundos que durou a ecografia morfológica, tenho de confessar. Desmanchei-me em sorrisos a ver as pernas mais jeitosas, os braços mais bonitos, os 5 dedinhos lindos em cada mão e os 5 dedinhos lindos em cada pé. Vi-lhe o coração a bater, os pulmões a fingir que respiravam, e até a apanhei a chuchar no dedo... do pé!! :) Mas derreti-me ao ver o seu narizinho arrebitado.
A minha filha é, sem dúvida, a mais bonita de todas as meninas.
E tenho dito!
:)
Resoluções de Ano Velho
Pus-me hoje a pensar em resoluções para o ano novo. Tenho a dizer que desisti ao fim de pouco tempo. Isto porque o próximo ano está carregado de tanta coisa que eu desconheço por completo, todas elas encaixando-se em 2 categorias:
1) finalmente acabar o internato, esta longa jornada que começou tinha eu 15 anos, está agora a acabar a poucos meses de fazer os 30!! E depois... mistério!;
2) ser mãe, que vai mudar tudo.... mas para o qual é impossível preparar-me de antemão, vai ser uma viagem aprendida a cada passo dado;
Isto faria com que a única altura que daria para programar o que quer que fosse seria agora nos primeiros meses do ano, mas esses estão de tal forma ocupados com o exame final que pouco tempo sobra para resoluções, que ficariam quase que seguramente por cumprir.
Então, que fazer? Ora, eu consigo programar o meu amanhã. Portanto, achei que criar antes as resoluções de Ano Velho faria mais sentido. Ora cá estão elas:
1) Organizar o guarda-fato
2) Ver que roupa tenho que me sirva nos meus meses de barriga grande, e comprar o que faz falta
3) Ir buscar o diploma de curso, pedido há 6 anos.....
4) Sair do ano velho com a casa limpa
5) Despejar o guarda-fato que está no quarto que até agora se considerava "da tralha" (e que vai deixar de o ser brevemente)
6) Fazer bacalhau espiritual na Cookii, só para ver se fica bom
7) Escrever mais 10 páginas do curriculo
8) Estudar 2 temas "menos importantes" para exame final (afinal, é fim de ano, e eu não me consigo concentrar nestas alturas, portanto mais vale ver o que é menos importante)
Passaram já 10 horas desde que fiz essa lista. Até agora cumpri 5, já só faltam 3... IEI!! :)
By the way, o bacalhau ficou óptimo! E já tenho resolução de ano novo - começar a fazer "to-do lists". Esta parece estar a funcionar...!
O mistério das meias desaparecidas
Não devo ser caso único. Acredito verdadeiramente que em todas as casas se passa a mesma situação. Pomos um par de meias para lavar, e quando vamos a dobrar o molho das meias todas, descobrimos que algures no processo, uma das meias desapareceu. Para onde foi ela?!
A minha conclusão sempre foi muito simples - ficou perdida na roupa que não foi lavada. Logo, a solução e lógica - guardar a meia desemparelhada) num local longe da vista (e do coração), e da próxima vez que se lavar a roupa resolve-se o assunto.
E assim foi durante alguns meses. Mas lá está, longe da vista, longe do coração, e a tendência foi para ir acumulando meias desemparelhadas na despensa ao longo de meses.
Mas hoje estou de "férias"* - acordei cedinho, dei um jeito à casa, fiz mais umas páginas de currículo, fui cortar o cabelo, almocei e pensei - é hoje que aquele molho de meias vai desaparecer da dispensa. E sentei-me com o molho gigante de meias no sofá, e duas a duas comecei a dobrá-las.
... Mas não é que cheguei ao fim, e faltam-me 3 meias?! E ontem lavei a roupa todinha, portanto...
Natal a 2... e meio
Na verdade, o título está errado. Não foi um Natal a 2 e meio. Foi um Natal de casa cheia com a família. Na verdade, Natal a 8 e meio.
... Curioso é que quem recebeu mais prendas não foi nenhum dos 8 presentes. Foi sim o "e meio". Embora escondidinha e ainda sem dar muitos ares de sua graça às pessoas em geral (a excepção é a mãe, que por vezes é premiada com pontapés e cotoveladas), foi ela que teve direito a prendas inacabáveis de todas as cores e feitios!
.... Ainda é muito pequenininha, mas já vive na cabeça de muita gente. Foi um Natal diferente, com coisinhas minúsculas em tons brancos e cor de rosa. Foi um Natal bom! :)
Hip Hip.... HURRAH!!
Acabaram-se os relatórios de internato!!! E acabaram-se os exames de ano de internato!!!
Já só falta o curriculo e o exame final e depois.... Freedom!! Anseio por este momento desde o 10º ano, altura em que "lutar pela nota" começou a ter importância, e em que aprendi a "marrar" como gente grande, encafuando-me em casa enquanto outros se divertiam à brava, passando longos serões com livros enquanto outros se divertiam, e ... enfim, no fundo, divertindo-me também enquanto outros se divertiam, mas eu cá divertia-me à minha maneira!
Valeu a pena, não tenho a menor dúvida disso. E foi divertido, apesar dos momentos de sofrimento intenso (... mas hey, quem não tem esses momentos de aperto?!). Mas hoje, olhando para trás, quase que olho com saudades esses momentos... Parece que de tão familiares que são, se tornaram algo indistinto da minha pessoa.
Ainda falta até acabar. Eu sei que ainda falta. E a etapa que resta não é uma etapa fácil. Mas é concretiza uma etapa que vai deixar algumas recordações, boas e más, para serem lembradas daqui a uns anos com os mesmos olhos saudosistas com que eu olho agora para a véspera dos testes de matemática ou de físico-quimica.
Foram 14 anos a lutar por notas, a tentar saber aquilo que inicialmente parecia quase impossível de saber, e que afinal se superou. E, 14 anos depois, é incrível pensar na quantidade estúpida de coisas que aprendi, nas pessoas que conheci ao longo de todo este tempo, e essencialmente do quanto eu cresci.
Às vezes faz falta parar um bocadinho e reflectir no que andamos a fazer com as nossas vidas. Afinal, os dias passam iguais uns aos outros, e quase nem damos conta do processo evolutivo que vamos sofrendo ao longo das nossas vidas. São precisos marcos que nos façam parar um bocadinho, respirar, e reflectir.
E este dia, esta data, é um desses marcos.







