Junho veio, e trouxe com ele os bailaricos típicos das celebrações dos santos. Marchas e manjericos com sardinhas assadas. Adoro.
Santo António já acabou, o São Pedro está a acabar ....
22:00
22:00 e a miúda continua a rebolar na cama de um lado para o outro enquanto vai sussurrando histórias saídas do seu imaginàrio à boneca que lhe faz companhia.
22:01 e o piolho não sossega e passa o tempo a sentar-se no berço a palrar até que alguém o pegue.
22:02 e eu sou claramente a única com uma gigante vontade de dormir. (E uma enorme dificuldade em manter os olhos abertos também.)
22:03 e estou demasiado k.o. para decifrar o que terá acontecido hoje para ainda estarem todos electricos... onde falhei?
22:04 e dou comigo semiadormecida apesar do caos instalado à minha volta, a sonhar com os tempos em que a esta hora ainda era capaz de fazer qualquer coisa de útil. Decido que mais vale encarar a realidade, esta noite está perdida, e eu estou a ficar demasiado velha para isto.
Enfio as crianças na minha cama e admito que nem todas as noites podem ser um sucesso. Mas ao menos faço-o com a certeza que em breve estaremos todos a dormir, não faltaraá muito. Incluindo eu própria. Claramente, Parenting Win. Nem me sinto culpada.
Boa noite. :)
O fim de uma pausa imposta
Passou muito tempo desde a última vez que visitei este meu cantinho. Tanto tempo, que corria mesmo o risco de vir a ser esquecido.
Foi por mero acaso que aqui regressei. "Devias começar um blog!", disseram-me lá no trabalho. "Terias sucesso!" continuaram... e assim de repente o velhinho Carpe Diem veio-me à memória. Já não sabia o seu endereço, já desconhecia a palavra passe, já nem tão pouco me lembrava ao certo de quando o tinha abandonado.
Vou confessar algo que me custa aceitar: às vezes é preciso crescer. E, aparentemente, cresci mais rapidamente que o blog. De um momento para o outro vi-me especialista, com um bebé em casa e 1900 utentes no trabalho, esposa de um marido mais do que atarefado (casei!), e toda uma vida três (e depois a quatro) para gerir. Sim, agora somos quatro!
Os dias passaram, a vida foi-se desenrolando à minha frente, e eu cresci. E crescer implica deixar algumas coisas para trás, para dar lugar a outras que ainda estão por descobrir. Sempre foi assim, sempre assim será. Foi só isso que me aconteceu. Eis a razão do meu desaparecimento da blogosfera.
Ser mãe obriga a crescer muito em muito pouco tempo. Ser mãe trabalhadora (com brio no trabalho e orgulho desmedido dos filhos) implica crescer demasiado em tempo nenhum. Por isso deixei algumas coisas para trás. As idas às compras só porque sim, as saídas nocturnas com as amigas, as idas ao cinema semanais.... e o velho blog. Nem tive tempo para ter pena.... aconteceu simplesmente. Tanta coisa boa substituída por tanta coisa boa também. Pena para quê?
Mas hoje, perante aquela conversa, lá me veio à memória que outrora tinha um blog, e que esse blog foi por mim muito acarinhado durante muito tempo. Um diário onde podia partilhar tanta coisa sobre nada, e onde tanto disparate tinha sido relatado. Sem pensar falei no Carpe Diem, e de um momento para o outro estávamos as 3 a olhar para ele.
"Tu escrevias o Carpe Diem?" perguntaram... "Eu lia o Carpe Diem! Estava nos meus favoritos!" E algo aconteceu nesse instante. O quê? Alguém que eu desconhecia acompanhou-me mesmo antes de me conhecer? Alguém fora do meu círculo de amizades lia-me de forma assídua?
Cheguei a casa, e depois da rotina diária e dos miúdos deitados, pus-me a ler. E li e revivi, soltei um sorriso aqui, dei um gargalhada ali, e um lágrima caiu acolá.
Pobre Carpe Diem... como pude eu afastar-me de ti durante tanto tempo? Onde estava eu com a cabeça? Não pode ser.
E desta forma.... Regressei!
Afinal de contas
Aaaaah, os primeiros dias de férias depois do regresso ao trabalho.
É já amanhã...
Amanhã farei parte do mundo das mulheres que para além de mães são também trabalhadoras. Não o nego - estou com medo.
Olho para o meu novo horário e entristeço-me ao ver todas as horas que vou estar sem a minha pequena, ainda tão bebézinha e tão carente dos meus mimos e atenção...
... como irá isto correr? É a pergunta que me assombra já há alguns dias.
Não é dramático, ela fica com a avó. E ela adora a avó! E já come pela colher e até já bebe o leitinho pelo biberão (coisa que se recusava a fazer há uns dias atrás....). Provavelmente custa-me mais a mim do que a ela. Mas é verdade - custa. E muito.
Ainda não me afastei, e já morro de saudades.
Como irá isto correr?
Está a crescer!
Come a papa, Mimi come a papa
Come a papa, Mimi come a papa, Mimi come a papa!
Um doi três, uma colher de cada vez
Quatro cinco seis, uma história de reis... E mais uma colher de papa!
:))
Regressando à vida real
Aaaaiiii, voltar a trabalhar.... Ainda não foi hoje, mas está para breve. E o meu coraçãozinho de mamã está já pequenino, cheio de saudades da bomboca cá de casa.
Há uns tempos atrás, mais precisamente em Maio (uns dias antes da Margarida nascer), quando reflectia sobre o como seria estar 5 meses inteiros sem trabalhar... pensava honestamente que iria chegar ao fim da licença completamente farta de estar em casa. Afinal, já desde os 6 anos de idade que o máximo de férias seguidas que tive foram 3 meses. E nessas alturas, quando Setembro chegava estava já deserta de regressar ao "trabalho" (à escola, portanto). E agora não seria diferente, pois iria começar a trabalhar num local novo, com uma lista de utentes e um gabinete só para mim... a minha motivação para regressar ao trabalho deveria ser bombástica.
... Mas não. Nessas minhas reflecções, esqueci-me sempre de um pormenor importante. Os 5 meses que tinha pela frente na altura não eram férias. Eram, isso sim, o início de uma nova etapa de vida.
Há uns tempos atrás, mais precisamente em Maio (uns dias antes da Margarida nascer), desconhecia vários pequenos prazeres: acordar com os olhinhos sorridentes de uma criança palrante logo pela manhã (às vezes às 05, outras vezes às 06, e nos dias de grande sorte já a passar das 08:00!); brincar com os pés dela na muda de cada fralda; dar de mamar com toda a calma e tranquilidade como se nada mais houvesse para fazer; passear com ela no parque e vê-la a descobrir o mundo pela primeira vez.... esses pequenos prazeres que só as mães compreendem verdadeiramente, porque são eles que no fim de cada dia apagam os nervos e a irritação (frutos da privação de sono e das birras e dos gritos e sabe-se lá mais o quê) e nos fazem adormecer com um sorriso. São esses pequenos prazeres que queremos guardar bem na memória, porque sabemos que não duram para sempre.
E agora, começar a preparar o regresso ao trabalho (leia-se trabalho remunerado, porque estou convicta que nunca trabalhei tanto como nestes últimos meses). Aproveitar a hora da sesta para rever as matérias que entretanto foram enferrujando na memória, visitar o futuro gabinete e pensar como o tornar funcional e ao mesmo tempo agradável, ir às reuniões de serviço... Sabe bem, não vou dizer que não... Mas ao mesmo tempo...
Nem sei explicar.






