Faz hoje 16 semanas e 1 dia desde que um espermatezóide se encontrou com um óvulo na minha Trompa de Falópio direita, e, aparentemente foi amor à primeira vista. Aquele primeiro beijo culminou com a fusão dos dois, e os seus DNA's parcelares completaram-se naquele núcleo diplóide recém-criado. Formaram assim os novos cromossomas do novo ser que iria ser fabricado ao longo dos próximos 9 meses (ou 40 semanas).
No meio da alegria estabelecida, de Zigoto passou a Mórula, que de repente era já uma Blástula, que se enterrou na parede posterior do meu útero, e aí decidiu ficar para crescer. Formou-se um Saco Gestacional minúsculo, com uma Vesícula Vitelina minúscula que iria alimentar aquele pequeno aglomerado de células (agora Embrião!) enquanto a placenta não era fabricada.
E 13 semanas depois foi espreitado, e já tinha forma de pessoa, com uma cabeça desproporcional ao seu corpinho minúsculo, e um coração que batia a um ritmo alucinante. Uma boquinha linda e um narizinho mimoso, um estômago perfeito e braços e pernas pequeninas a esbracejar! Melhor filme sem som a preto e branco a que alguma vez assisti. E, de repente.... "pum-pum, pum-pum"! Houve lágrimas logo de seguida. Aquele pequenino ser vivo, ainda em fase parasitária, tinha sido criado dentro de mim! Francamente orgulhosa do que o meu organismo consegue fazer nas suas horas vagas, saí com um sorriso fantástico a acreditar que daí em diante tudo seria perfeito!
E foi. À excepção dos vómitos, e do sono! Mas há comprimidos para os vómitos (que resultam! iei!), e há tempo para ficar mais meia horinha na cama. Tudo perfeito.
... E a fome. Ai, a fome! E a vontade de coisas tão pouco boas.... E.... aaaaaiiiii... e a dieta feita há uns meses, onde é que ela já não vai!
Ontem subi à balança pela segunda vez desde estas 16 semanas. Doeu. A sério que doeu. Afinal, tudo era perfeito, excepto esta minha incapacidade de ter a alimentação "perfeita" que prometi a mim mesma ter neste período da minha vida.
E, de seguida, veio a resolução: Vou portar-me bem de agora em diante! Tenho a certeza que sim! :)
O verdadeiro Espectáculo da natureza!
O dia a dia nos cuidados primários geriátricos nova-iorquinos
Tenho feito tanta coisa! Desde internamento, a avaliação de risco domiciliário, a cuidados primários geriátricos, a cuidados paliativos... Tem sido fantástico! E tudo isto num horário que acaba, o mais tardar, às 5 da tarde. Não me posso queixar!
Adoro os utentes americanos. Quando falam, soam tal como no Dr. House (eu não consigo deixar de imaginar o Dr. House a fazer caretas ao ouvir alguns doentes), é tão engraçado! Tal como em Portugal, há de tudo, desde o bem humorado ao rezingão. Mas todos eles a precisar de alguma atenção por parte da equipa médica/enfermagem, quanto mais não seja pelo "conforto" que é ter alguém a ouvi-los.
Tal como em Portugal, há um desgaste na equipa de profissionais, que muitas vezes se vêm incapazes de ajudar. Não nos podemos esquecer que estamos a tratar de pessoas com mais de 70 anos (o máximo que já vi foi 105, e trata-se de uma senhora lúcida que consegue andar!), e por vezes o termo "ajudar", neste contexto, torna-se complicado. Um exemplo claro disso são os inúmeros casos de demência que tenho visto - por exemplo, como vamos ajudar uma pessoa demente que se apresenta na consulta, acompanhada dos filhos, por recusa alimentar? Enfiar-lhe um tubo pelo nariz em direcção ao estômago, e começar a dar-lhe papa todos os dias? Sim, isso resolve o problema... mas... será isso legítimo, será isso... "ajudar"? Ou será antes desajudar? Se considerarmos que esta senhora, talvez professora ou enfermeira no passado, agora incapaz de reconhecer os familiares, de ir à casa de banho ou até de comunicar, que passa agora os dias a olhar a parede branca à sua frente com ar apagado... Na total dependência de terceiros, muitas vezes pessoas estranhas contratadas por uma família demasiado ocupada para conseguir pagar os cuidados à mãe debilitada... Simplesmente para manter esta pessoa viva, isto é, coração a bater e pulmões a respirar... viva? Será viver? Será ajudar pôr-lhe um tubo que apenas lhe vai aumentar o desconforto, e dificultar-lhe a árdua tarefa que ainda tem pela frente - a de ter uma morte digna e pacífica?
Não existem respostas para estas perguntas. A ética tanto permite pôr o tubo, como não pôr o tubo. Tanto faz. Então, que fazer? Recorrer à família. Ou a algum documento assinado pela doente antes da memória se ter desvanecido, a explicitar exactamente os seus desejos em fim de vida. Mas esses documentos são escassos, e a família não sabe como responder também... "What would you do, doctor, if it were your mother?"
Mas, para aliviar estes momentos angustiantes, sempre nos vão aparecendo casos menos complicados. Aqueles utentes que vêem e queixam-se das suas maleitas sem se queixar verdadeiramente, sabendo à partida que o melhor remédio é aprender a viver com esta ou aquela nova incapacidade. Como lá dizia hoje um senhor de 95 anos, com um sorriso nos lábios a contar-nos como a sua rotina matinal, antigamente feita a correr, agora lhe ocupa quase toda uma manhã: "Guess I'll just have to wait 'till Heaven. Then I'll be 21 again!"
No meio de tanto, pergunto-me constantemente - o que estamos a fazer? Não conseguimos curar o incurável, não conseguimos recapacitar os incapacitados.... Será que estamos a fazer algo verdadeiramente útil? Os utentes garantem-nos que sim "Thank you so much, doctor.... I feel much better just talking to you...!". Mas eu tenho as minhas dúvidas. Será que estas pessoas precisam mesmo de um médico?... ou simplesmente de um amigo? Não estou a falar de toda a gente, está certo... há aqueles que nós conseguimos ajudar, de facto. Mas são raros.
Quanto mais vejo, mais tenho a certeza: Ninguém quer chegar a velho.... mas ao mesmo tempo, quem quer morrer novo?
A vida em NYC
Começa amanhã a minha vida em NYC. Já cá estou há 1 semana, mas foi uma semana claramente de férias, a comer fora a cada oportunidade, a ver o máximo de atracções turísticas que o tempo me permitiu, e a não ter uma ralação que fosse com a vida (apenas com a conta bancária!).
Mas a partir de amanhã, as coisas mudam - A partir de amanhã deparo-me com uma cidade de Nova Iorque diferente - não a vista pelo turista, mas sim a cidade de Nova Iorque vista por uma pessoa que habita este local, que tem necessidade de ir às compras e de acordar cedo para ir trabalhar. E de aprender a usar o laundromat aqui do sítio - isso vai ser uma aventura! E de cozinhar na minha micro-cozinha, composta por um armário de parede de 2 portas, um fogão e um lava-loiça! (Ainda estou para descobrir como é que se seca a loiça neste apartamento, que não tem um centímetro de bancada que seja.... Hei-de inventar uma solução!)
Portanto, um mês em NYC prestes a começar. Let the American Adventure begin!
:)
Passou-me a neura
Claramente, passou-me a neura... Afinal, hoje foi Sábado e esqueci-me de pesar...! =)







